ENFIM, PODEREI SENTAR DEBAIXO DE UMA ÁRVORE SEM SENTIR MEDO

Pr. Edivaldo Rocha

“Certamente te ajuntarei todo, ó Jacó; por certo congregarei o restante de Israel; eu os colocarei todos juntos, como ovelhas no curral, como rebanho no meio do seu pasto; farão estrondo por causa da multidão dos homens. Aquele que abre o caminho subirá diante deles; eles atravessarão, entrarão pela porta e sairão por ela; e o rei irá adiante deles, e o SENHOR à sua frente [...] Nos últimos dias acontecerá que o monte do templo do SENHOR será estabelecido como o monte mais alto e se elevará sobre as montanhas, e os povos irão a ele. Muitas nações irão e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR e ao templo do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, para que andemos nas suas veredas; porque a lei sairá de Sião, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém. Ele julgará entre muitos povos e corrigirá nações poderosas e distantes; essas converterão as suas espadas em relhas de arado e as suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação e não aprenderão mais a guerra. Mas cada um se assentará debaixo da sua videira e da sua figueira, e ninguém os afugentará dali, porque o SENHOR dos Exércitos disse isso.” Mq 2:12-13 e 4:1-4.

Gosto muito da versão bíblica em que diz acerca do verso quatro “e todo homem poderá sentar-se debaixo de sua figueira e debaixo de sua videira e não sentirá mais medo”.
Quero compartilhar com vocês, igreja e amigos que nos visitam, uma palavra que me enche de esperança, pelo fato de saber que Deus cuida de seu povo.

O profeta Miqueias atuou em Israel na mesma época do profeta Isaías. Muito do que vemos no livro do Profeta messiânico, Isaías, vemos também no livro deste outro profeta. A primeira vez que fui impactado por essa passagem que acabo de ler foi justamente quando pesquisava o sermão proferido pelo pastor Martin Luther King jr., intitulado Eu tenho um sonho.
Ter um sonho na época em Luther King proferiu o sermão que destaquei era uma coisa para poucos. Naquela época as coisas estavam difíceis, mas mesmo assim aquele pastor disse que mesmo contemplando tanta miséria, ele ainda tinha um sonho. Ele continuou dizendo que quando a gente deixa de sonhar, a gente perde a esperança e a esperança é o que faz a gente continuar sempre em frente, apesar dos pesares (para quem tem interesse, compartilho o link do texto < http://www.dhnet.org.br/desejos/sonhos/dream.htm&gt; ).

Miqueias pregou em uma época que rumores de invasão pairavam sobre o povo. As pessoas estavam dispersas e ninguém se sentia seguro em áreas abertas. O medo parecia tomar conta do cotidiano do povo de tal forma que muitos se sentiram perdidos em sua própria terra.

O medo é uma sensação curiosa. Geralmente essa sensação é ativada em situações de grande perigo. Diante de algum perigo é comum alguns correrem e outros ficarem totalmente imóveis. Lembro-mE que, certa vez, em uma noite de fim de ano, eu e mais dois colegas estávamos sentados na escadaria em frente às nossas casas. Na entrada da rua apareceu um homem segurando algo que parecia uma arma. Prontamente ficamos em pé e na medida em que o estranho subia, eu e outro colega nos afastamos alguns metros, enquanto o outro amigo ficou bem em frente à sua casa, o local que estávamos inicialmente. De repente, o estranho empunhou o que achávamos que era uma arma e foi então que toquei no ombro do menino que estava comigo e gritei: CORRE!!! Rapidamente adentrei na casa de uma visinha que ouviu meu grito e saia para ver o que estava acontecendo e o menino que estava em frente à sua própria casa correu para chamar o seu pai. Depois de alguns minutos, resolvi sair para ver se já havia passado o perigo e descubro que o garoto para quem eu tinha dito para correr, tinha ficado imóvel, paralisado no mesmo local. Ele travou no lugar onde estava. O garoto que correu para dentro de sua casa passou tão rápido pelo terraço que seu pai acabara de fazer o piso que nem uma marca do pé ficou. E o que parecia ser uma arma na verdade era uma capanga (um tipo de carteira grande para homens), e o estranho que vinha no escuro era o tio de um dos garotos.

Fora essas situações inusitadas, há também situações de perigo real que levam as pessoas a saltarem de prédios em chamas, reagirem assaltos, dentre outros. Há também o medo oriundo não de situações de perigo como um incêndio, uma pessoa armada, ou um animal raivoso, há medos que surgem das situações que vivemos e passamos. Por exemplo, quando uma empresa tem prejuízo em seu faturamento, os funcionários ficam com medo de perder seus empregos; quando os filhos somem de casa, os pais sentem medo da possibilidade de ver seus filhos envolvidos com traficantes; quando não conseguimos mais dialogar dentro de casa, há um medo de perdemos nossas famílias; quando as provações são pesadas, sentimos o medo de sermos tragados pelas dificuldades.
Se isso já não fosse demais, ainda temos que lidar com as ações impensadas, resultadas do medo que muitas vezes sentimos.
O medo de não conseguir arcar com as despesas do mês faz muitas pessoas recorrerem a agiotas e empréstimos bancários sem fim. O medo se perder alguém gera, em alguns casos, uma submissão doentia. O medo de lidar verdadeiramente com os problemas leva a fuga que muitas vezes se aloja no vício do álcool e outras drogas.

O medo pode gerar o pânico; o medo piora a depressão; nos afasta do convívio com as pessoas; o medo causa até o desespero – e isso não é nada mais nada menos ações extremistas causadas pela falta de esperança. O medo mata o sonho.
Foi por enxergar essas coisas no meio do povo de Israel que o profeta trouxe a palavra do Senhor, dizendo: “Certamente te ajuntarei todo, ó Jacó; por certo congregarei o restante de Israel; eu os colocarei todos juntos, como ovelhas no curral, como rebanho no meio do seu pasto [...] entrarão pela porta e sairão por ela; e o rei irá adiante deles, e o SENHOR à sua frente”.

Quantas vezes não percebemos as ovelhas do Senhor dispersas, sem um rumo na vida; quantas vezes por medo de serem rejeitadas ou acusadas não contemplamos pessoas se isolando e alimentando frustrações; quantas vezes não vemos um irmão ou uma irmã que ao se sentir abandonado (a) revela em seu olhar um medo alojado em seu coração.

São nessas horas que precisamos olhar para Palavra de Deus e enxergar que quando falta orientação, o próprio Deus se responsabiliza para ajuntar o seu povo novamente. O desejo do Senhor é que todos sejam rebanho do seu pastoreio, que todos sejam suas ovelhas. Para isso só é necessário ouvirmos quando ele chamar.

E agora você tem aquela pergunta que não quer calar: e os problemas se acabaram? As crises foram resolvidas? Os perigos foram dissipados? A resposta é não! Na maioria dos casos os problemas, as crises e os perigos continuarão onde sempre estiveram, mas com uma grande diferença: a intervenção de Deus.

Há muita gente pregando por aí que quando uma pessoa se converte, automaticamente, tudo que é negativo em sua vida desaparece. Sabe o que acontece com uma pessoa que dá crédito a uma mensagem como esta; com pouco tempo, o problemas batem à porta e todas as crises emocionais que outrora haviam voltam com eles. É por essa razão que há muita gente decepcionada com as igrejas de um modo geral.

Há muita gente sendo enganada, porque na verdade Deus não disse que seria sombra e água fresca (lembram que na última quarta-feira eu disse que isso não existia), o que Deus prometeu é que estaria conosco em todo momento.

É nesse ponto que temos uma grande diferença, descrita na outra parte do texto que destacamos no início: “Ele julgará entre muitos povos e corrigirá nações poderosas e distantes; essas converterão as suas espadas em relhas de arado e as suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação e não aprenderão mais a guerra. Mas cada um se assentará debaixo da sua videira e da sua figueira, e ninguém os afugentará dali, porque o SENHOR dos Exércitos disse isso.”

Sabe o que este texto quer dizer? Que quando as pessoas buscarem a Deus, elas transformaram as suas lanças em enxadas e os seus arcos em arados, ninguém se levantará contra seu próximo e você poderá sentar-se debaixo de uma árvore e o medo não te incomodará, porque você tem uma coisa que só os filhos de Deus têm: paz de espírito. Às vezes é só isso que precisamos.

Há muitas pessoas que estão procurando soluções mirabolantes para seus problemas. Há muitas pessoas que para enfrentar os dissabores da vida basta ter muito dinheiro. Há pessoas que procuram respostas para perguntas que elas não sabem nem ao certo se são relevantes. O que essas pessoas, desconhecem é que quando temos a paz que Jesus nos oferece, as coisas encontram sentido, porque a paz de Jesus fortalece o nosso espírito e nos dá a certeza que Deus está conosco.

Meu querido amigo, eu não conheço o seu coração, a sua vida, mas deixe-me fazer uma pergunta: você está se sentindo em paz? Você tem esperança? A paz e a esperança estão em Jesus, você quer experimentá-las? Diga sim, ao convite de Deus!

Música: A Esperança é Jesus – Alessandra Samadelo

 

QUANDO AS LUTAS SÃO MAIORES QUE NOSSAS FORÇAS

*Pr. Edivaldo Rocha

“Naquele tempo, Jesus exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e eruditos, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque assim o quiseste. 27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11:25-30)

Mesmo que muitos digam o contrário, um milagre é uma coisa extraordinária. Hoje estamos vivendo dias em que as pessoas dizem que veem milagres em qualquer esquina. Milagre é algo fora do comum e acontece em situações extremas.

Há poucos relatos na Bíblia em que a menção de muitos milagres foram realizados em pouco espaço de tempo. A primeira menção destaca o momento em que Moisés atuava como líder do povo de Israel. Desde as dez pragas até o fim de sua jornada no deserto, a vida de Moisés foi marcada pela realização de milagres. Outra ocasião marca o período dos ministérios de Elias e Eliseu. Após esses dois célebres profetas algo deste tipo só foi visto no ministério de Jesus.

Nunca tantos milagres foram realizados como no ministério de Jesus. O evangelista João narra que se cada um deles fosse escrito, não haveria livros suficientes para registrá-los (Jo 21:25).

O trecho bíblico que lemos do evangelho de Mateus é antecedido por um fato de falta de fé generalizado em algumas cidades pelas quais Jesus passou. Do verso 20 ao verso 24 do evangelho de Mateus há uma crítica dirigida a algumas cidades que não deram crédito aos milagres que Jesus havia realizado. Jesus disse que se em outros lugares fosse realizado o que nessas cidades foi realizado, vidas e mais vidas teriam sido poupadas.

Jesus continua dizendo que os olhos dessas pessoas estavam fechados para as coisas de Deus, mas havia pessoas que não tinham seus olhos fechados para as maravilhas de Deus em favor da humanidade. Jesus chamou essas pessoas de pequeninos. Literalmente, ele disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e eruditos, e as revelaste aos pequeninos” Mt 11:25.

Os eruditos e os sábios daquele tempo não conseguiam enxergar a glória de Deus por conta de sua autossuficiência. Uma pessoa autossuficiente é aquela que vive como se não precisasse de alguém ou de alguma coisa. Uma pessoa autossuficiente tem a tendência de depositar a sua confiança em algo material, algo que ela possa segurar em suas mãos. O autossuficiente tenta controlar a sua vida de tal forma que nada lhe saia do controle.

Não quero aqui que a igreja pense que advogo que devamos viver desordenadamente ou sem o devido planejamento.  O quero alertar, nessa noite, é que por mais previsões e planejamentos que façamos, há coisas que fogem do nosso controle. Nas instâncias públicas há uma expressão que se encaixa bem nesse contexto. Quando algo não pode ser resolvido por um dado profissional, geralmente, este profissional usa a expressão: “isso foge da minha governabilidade”. O que isso quer dizer é que aquele dado assunto não está dentro do alcance da sua competência profissional.

No plano vivencial, também há coisas que fogem da nossa governabilidade e que geram uma pergunta crucial: “o que fazer quando as lutas são maiores que as nossas forças?”

Antes de responder essa pergunta, precisamos entender algumas coisas básicas acerca dos das lutas e dos problemas:

1-                 Há problemas que resolvem se por conta própria e com o tempo. Esse é um tipo e problema que quanto mais se mexe nele, maior ele fica. É como se esse problema fosse nutrido com a nossa intervenção, então quanto mais atenção damos a ele, maior ele se torna. Imagine uma pessoa que está sofrendo por conta da perda de uma pessoa amada. Muitas vezes as palavras, o contato nada ajuda. Nesses casos só o tempo dará o devido alento. Às vezes, algumas questões familiares também precisam ser encaradas nessa perspectiva. Há conflitos que não podem ser abordados assim que ocorrem, porque há muitas emoções que precisam ser reordenadas, mas com o passar do tempo o furor, a angústia, a tristeza, a frustração já podem ser trabalhadas e às vezes curam-se sozinhas – contudo, não podemos achar que todo problema se resolve por conta própria. Há problemas que precisarão ser discutidos e afinados o quanto antes, a fim de evitarmos as famosas bolas de neve.

2-                 Há outros problemas com os quais lidamos todos os dias. Imprevistos e enfermidades moderadas, uma conta que extrapolou o nosso orçamento, etc. Para esse tipo de problema, basta refletirmos acerca da melhor maneira de contorná-lo que rapidamente se resolve. O cuidado que precisamos ter com um problema desse nível é não super estimá-lo. Muitas pessoas se desesperam diante de qualquer probleminha que acontece. A expressão fazer tempestade com um copo de água se encaixa bem para uma pessoa como essa; eu costumava brincar com essas pessoas dizendo que o rio de lágrimas que elas choravam era mais fundo que os demais. Se “um rio de lágrimas” já é um exagero imagine um mais fundo ainda.

3-                 Há aqueles problemas mais graves que precisarão da ajuda de outros indivíduos para ajudar a solucionar. Esse tipo de problema tira o sono, afeta o nosso emocional e compromete a rotina que estabelecemos para nós. Porém,  por mais que seja grave, uma coisa é certa com esse tipo de problema: conseguimos dar conta. Eles ainda estão dentro da nossa governabilidade e por mais difícil que seja, mesmo que nos custe muitos cabelos brancos, ainda damos conta deles.

4-               Antes de passar para o outro nível/tipo de problema quero dizer que até agora o que estou apresentando é apenas uma ilustração, portanto, vocês não precisam concordar ao pé da letra com as definições que ofereci até agora. Talvez alguém já esteja resmungando consigo mesmo dizendo que só há dois tipos de problemas: os ruins e os piores. Esse nivelamento que coloquei até agora é bem relativo e caberá a você decidir como internalizar ou reformular essa informação. Contudo quero chamar a atenção de vocês para um outro nível de problema (o qual é de fato o motivo de nossa reflexão): aqueles problemas que estão além de nossas forças.

1Co 10:13 diz: Não veio sobre vós nenhuma tentação que não fosse humana. Mas Deus é fiel e não deixará que sejais tentados além do que podeis resistir. Pelo contrário, juntamente com a tentação providenciará uma saída, para que a possais suportar”. E de fato, Deus não dará nada além de suas forças, pois o que for além de suas forças é com ele e não com você.

E aqui nós temos um problema vivenciado por muitos cristãos modernos: tentar resolver o que é da alçada de Deus. O brasileiro é por natureza um tipo de pessoa que aprendeu a se virar sozinho desde criança. Às vezes, internalizamos aquela expressão que diz cada um por si e Deus por todos e nos esquecemos do salmista que diz, “se não fosse o Senhor que estivesse ao nosso lado, Israel que o diga”.

O que esse tipo de comportamento revela é uma postura independente do cristão para com seu Deus. A Palavra do Senhor alerta que se nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós, mas mesmo assim, há muita gente que está preferindo agir isoladamente como se não houvesse alguém para lutar conosco as nossas batalhas.

Infelizmente, inúmeros cristãos pararam de recorrer a Deus só pela vaidade de dizer que conquistou o que tem por esforço próprio.

Meus queridos, há coisas, há situações, há problemas que estão dentro da nossa governabilidade. Esses estão dentro daquele limite daquilo que podemos suportar. Mas há um outro nível de problema que está na governabilidade de Deus.

Talvez você queira perguntar uma coisa nesse momento: “se está na governabilidade de Deus, por que ele não resolve logo?”. Permita-me responder por que Deus não resolve, de imediato esse tipo de questão: porque nós mesmos estamos atrapalhando o agir de Deus com o nosso ego do tamanho de um elefante.

É claro que isso não se aplica a todo crente com um problema maior que a sua capacidade de suportar. Muitos ainda têm problemas desse nível para resolver pelo fato de não ter buscado o socorro de Deus. De um lado temos gente que não quer a ajuda de Deus e outros que não sabem com obtê-la.

Permitam-me fazer uma pergunta bem pessoal a você nesta noite: há algo que está te deixando cansado, frustrado, triste que você não consegue ou não sabe como resolver? Avalie comigo nesse momento: não será que esse não é um desses problemas da governabilidade de Deus?

Nós corremos tanto para dar contas dos prazos, das contas, das cobranças que nos são impostas; lutamos tanto para conquistar algo para nossas vidas; ficamos tão envolvidos com os dilemas que nos sobrevêm que quando nos damos conta estamos paralisados e sem alternativas. Sabe o motivo de isso acontecer, porque estamos cansados de lutar e não ver resultados; estamos sobrecarregados com tantas demandas que não sabemos o que fazer.

São nessas horas que precisamos olhar para a Bíblia e enxergar o que Jesus carinhosamente nos fala: ele diz “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.

Aprenda uma coisa nessa noite: quando a luta ou o problema for maior que suas forças, não há outra opção a não ser correr para os braços de Jesus.

A ESPERANÇA NÃO MORRE

A ESPERANÇA NÃO MORRE

*Pr. Edivaldo Rocha

“O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, CRISTO EM VÓS, A ESPERANÇA DA GLÓRIA” (Cl 1:26-27)

É comum ouvirmos que a Esperança é a última que morre. Na verdade a Esperança não morre, pois Jesus é a Esperança. Mesmo assim não é difícil perceber que muitas pessoas vivem desesperançadas, como se não houvesse solução para os problemas da vida. Parece contraditório dizer que a Esperança não morre e ao mesmo tempo muitas pessoas vivem sem Esperança. Na verdade só parece contraditório, porque é bem lógico isso que estou colocando: se como filhos de Deus, acreditamos que Jesus é a única Esperança, logo quanto mais distante as pessoas estiverem de Jesus, mais distantes também estarão da Esperança.
Ansiedade, angústia, desespero, medo são sentimentos que ninguém gosta de sentir. Esses sentimentos machucam a alma, eles roubam o brilho dos nossos olhos e muitas vezes nos tiram a alegria de viver. Houve um momento na história do povo de Israel em que o desespero havia tomado conta da nação. Fome, miséria, morte assolavam o povo. O profeta com os olhos em lágrimas reuniu um pouco de forças que ainda lhe restava e clamou dizendo:
“Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama como água, o coração perante o Senhor; levanta a ele as mãos, pela vida dos teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas. Vê, ó Senhor, e considera a quem fizeste assim! Hão de as mulheres comer o fruto de si mesmas, as crianças do seu carinho? Ou se matará no santuário do Senhor o sacerdote e o profeta?” (Lm 2:19-20).
Poucas cenas na Bíblia são tão lamentáveis como essa. Profetas e sacerdotes sendo assassinados dentro do santuário e pessoas sendo obrigadas à prática do canibalismo. A nação estava desenganada, Israel estava no fundo do poço, mas corajosamente o profeta Jeremias disse em seu coração “quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21).
Mesmo passando pelo que passou, Jeremias optou por ter Esperança em Deus. Ele sabia que embora as circunstâncias dissessem o contrário, Deus traria um renovo para seu povo. Jeremias ainda não conhecia a Jesus, isso ainda lhe era um mistério. Mas ele acreditava que se mantivesse a chama da Esperança viva em seu coração, o quadro mudaria.
O que estava oculto no passado, o que era um mistério para Jeremias foi revelado na pessoa de Jesus. E o apóstolo Paulo destacou que:
“O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, CRISTO EM VÓS, A ESPERANÇA DA GLÓRIA” (Cl 1:26-27)
Caros amigos e irmãos, essa passagem nos revela que quando Cristo se faz presente em nossas vidas, a Esperança está sempre viva em nossos corações.
Quando nos aproximamos de Cristo, conseguimos cortar a montanha do desespero; soterramos os vales da angústia; quando estamos em Cristo, nós arrebentamos as prisões da solidão e o medo e desarmamos todo desengano apontado para nós.
Quando Cristo se faz presente em nossas vidas, Deus envia anjos para montar guarda à nossa volta (Sl 91:11); ele nos livra do laço do enganador (Sl 91:3); ele nos protege da flecha que voa de dia e do medo que espreita à noite (Sl 91:5).
Quando estamos com Cristo, mantemos inabalável a nossa fé e com essa fé vencemos o gigante, chamado Desanimo.
Em Cristo nós resistimos, nós permanecemos em pé e continuamos a nossa caminhada na certeza que a Esperança é Jesus.

O QUE FAZER COM AS PEDRAS?

AS PEDRAS DA VIDA

Pr. Edivaldo Rocha

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; TEMPO DE ESPALHAR PEDRAS E TEMPO DE AJUNTAR PEDRAS” (Ec 1:1-5a)

Ao selecionar a primeira parte do quinto verso do terceiro capítulo do livro do Eclesiastes, pensei como poderia iniciar essa reflexão. Veio-me, então, à mente o poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado No Meio do Caminho.

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida das minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Creio que na escola, nas aulas de Literatura, vocês já devem ter se deparado com esse poema que repete do começo ao fim o refrão “no meio do caminho tinha uma pedra”. Não fossem os três primeiros versos da segunda estrofe, o refrão prevaleceria por toda composição.
A estética modernista, a qual este poema pertence, não é das mais simples de se analisar, mesmo assim podemos inferir que o lirismo desse poema nos permite inferir que a vida tem um caminho cheio de pedras, ou se não tiver muitas pedras, uma com certeza encontraremos. “As retinas tão fatigadas”, ou seja, os olhos cansados do eu lírico do poema no trajeto do seu caminho enxergaram uma pedra. Talvez essa pedra o tenha impedido de continuar, ou quem sabe essa pedra o tenha machucado. O fato é que no meio do caminho tinha uma pedra.
Em nossa caminhada também nos deparamos com pedras. Podemos entender pedras no seu sentido literal (denotativo) que, volta e meia, despercebidamente, tropeçamos nelas ou aquelas que teimam em atingir os nossos telhados ou os ônibus do sistema público de transporte. Também podemos entender as pedras que encontramos no caminho em seu sentido figurado (conotativo) e nessa perspectiva podemos compreendê-las de quatro modos diferentes: as pedras que atiramos; as pedras que nos são atiradas; as pedras que espalhamos; as pedras que juntamos.

•    As pedras que atiramos
As artes marciais têm duas máximas que embora sejam parecidas expressam duas realidades diferentes: a primeira diz que “a defesa é o melhor ataque”. Ou seja, se alguém possui boas técnicas de defesa, o adversário fica sem opções e por um descuido perderá a luta. A segunda é oposta a essa e diz que “o ataque é a melhor defesa”. Se alguém possui técnicas de ataque eficientes, a necessidade de defesa será mínima, pois ao adversário não restará condições de contra-atacar diante dos golpes recebidos inicialmente.
Nós não vivemos em tatames ou ringues de lutas, mas no dia a dia colocamos essas máximas em prática (sobretudo, a que valoriza o ataque), a fim de resistirmos às circunstâncias que a vida nos impõe. Não é raro nos pegarmos atirando pedras nas pessoas que estão à nossa volta. Sempre que levantamos a voz agressivamente, sempre que maquinamos algo contra alguém, sempre que deixamos de considerar os outros – nesse contexto específico, o apóstolo Paulo, em Fl 2:3, disse que deveríamos ter o nosso próximo em elevada estima, “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos”.
Mas o que fazemos? Atacamos, como se o ataque fosse o melhor mecanismo de defesa. Mas será que é necessário atacarmos? Será que precisamos realmente atirar pedras naqueles que estão à nossa volta só para defendermos o nosso ponto de vista, a nossa estratégia?
O profeta Miquéias sonhou com um dia em que as espadas se transformariam em arados e as lanças em instrumentos do campo (Mq 4:3). Um dia ele sonhou que haveria um tempo em que as pessoas não se armariam mais com pedras para atingir os seus irmãos.

•    As pedras que nos são atiradas
Porque se por um lado apedrejamos, por outro lado alguém é apedrejado. No final da Segunda Carta aos Coríntios 11:23-29, o apóstolo Paulo destaca algo sobre as marcas que trazia no corpo por conta do Evangelho:
“Pois eu tenho trabalhado mais do que eles e tenho estado mais vezes na cadeia. Tenho sido chicoteado muito mais do que eles e muitas vezes estive em perigo de morte. Em cinco ocasiões os judeus me deram trinta e nove chicotadas. Três vezes os romanos me bateram com porretes, E UMA VEZ FUI APEDREJADO. Três vezes o navio em que eu estava viajando afundou, e numa dessas vezes passei vinte e quatro horas boiando no mar. Nas muitas viagens que fiz, tenho estado em perigos de inundações e de ladrões; em perigos causados pelos meus patrícios, os judeus, e também pelos não-judeus. Tenho estado no meio de perigos nas cidades, nos desertos e em alto mar; e também em perigos causados por falsos irmãos. Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas. Além dessas e de outras coisas, ainda pesa diariamente sobre mim a preocupação que tenho por todas as igrejas. Quando alguém está fraco, eu também me sinto fraco; e, quando alguém cai em pecado, eu fico muito aflito.”
O que mais me chama a atenção nessa passagem é o fato do Apóstolo Paulo ter passado por um apedrejamento. Quem já levou uma pedrada sabe como dói. Imaginem ser apedrejado. Não pensem que a sessões de apedrejamento do passado eram com cascalhinho não. Eram pedras grandes para que no final da sessão, a pessoa ficasse coberta com as pedras. Mas falando agora de modo figurado, quantas vezes já não fomos apedrejados com calúnias, difamações, hostilidades, com a rejeição ou o desprezo. Nessa vida, quem um dia passou por essas coisas não deveria pegar em pedras para lançar nos outros.

•    As pedras que espalhamos e as pedras que juntamos
Se hoje eu desse uma pedra a cada um de vocês, vocês poderiam apedrejarem-se mutuamente, ou por saberem a dor que uma pedra pode causar preferissem ir embora com sua pedra. Seja pela primeira ou pela segunda opção o resultado é similar – tanto o apedrejamento como o afastamento causam a dispersão e disperso o povo de Deus se fragiliza. E um povo fraco é um povo vulnerável, é um povo que não avança, é um povo que não cresce, é um povo que se afasta do propósito de Deus.
Queridos irmãos e amigos, pedras não foram feitas para serem arremessadas nas pessoas, tampouco para serem guardadas em gavetas (a menos que seja uma pedra preciosa como diamante ou rubi – mas ninguém atira diamantes e rubis nos outros). Pedras foram feitas para algo especial – pedras foram feitas para construir casas, muros (não para nos afastar dos outros, mas para afastar o inimigo), pedras foram feitas para construir avenidas e ruas, para amparar a barreira que teima em deslizar, para acalmar a fúria do mar. Mas há ainda uma outra função bíblica para as pedras: CONSTRUIR ALTARES.
Dentre as muitas passagens que narram esse fato destacarei apenas três:

o    Êxodo 24:4

”Então Moisés escreveu todas as leis de Deus, o SENHOR. No dia seguinte, de manhã, ele construiu um altar ao pé do monte e colocou ali doze colunas de pedra, uma para cada tribo das doze tribos do povo de Israel.”

o    Juízes 6:26 – Gideão
”Nesse lugar alto e seguro, faça para o SENHOR, seu Deus, um altar de pedras bem arrumadas. Depois pegue o segundo touro e a madeira do poste arrancado e queime tudo no altar como sacrifício.”

o     1 Reis 18:32 ”Com essas pedras Elias reconstruiu o altar para a adoração do SENHOR. Depois cavou em volta uma valeta em que cabiam mais ou menos doze litros de água.”

Que possamos usar as pedras que nos dão ou que existem no meio do caminho para construir altares de dedicação de vidas ao Senhor. Quando fazemos isso nos fortalecemos, adquirimos resistência, avançamos e crescemos diante do Senhor para o cumprimento de seu propósito para nossas vidas. E que propósito é esse? O propósito de vivermos em unidade na presença do Senhor, entendendo que vivemos tempos de ajuntar pedras para fazer altares de adoração. Amém!

REENCONTRANDO O CAMINHO

REENCONTRANDO O CAMINHO

Pr. Edivaldo Rocha


O mês de fevereiro está sendo dedicado à oração. E hoje damos início uma série de mensagens que terão como tema central A Prática da Oração.
Talvez alguns considerem um exagero dedicar um mês inteiro a esse tema e se questionem acerca do porquê disso? O apóstolo Paulo, 1ª Ts 5:17, recomenda que oremos sem cessar. Ele faz essa recomendação, porque a oração é um meio de se obter a graça de Deus. E não só isso, a oração é um canal de comunicação que temos com o Senhor. Se oramos continuamente, mantemos também uma comunicação constante Deus. Porque o crente que não se comunica com seu Deus corre o risco de se perder no meio do caminho. E é sobre esse assunto que gostaria de conversar com vocês nesta ocasião.
Todos nós sabemos que a vida nos mostra diversos caminhos. O crente é aquele que um dia escolheu a Jesus – que “é o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14:6). Quando escolhemos esse caminho, assumimos um compromisso de manter comunicação constante com Deus através da oração.
Como exemplo disso, podemos lançar mão do chamado de Abrão. Deus disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes, e vá para uma terra que eu lhe mostrarei” (Gn 12:1). A partir desse momento Abrão manteve uma comunicação contínua com Deus. Pois Abrão sabia que se quebrasse o canal de comunicação com Deus – através da oração – ele não chegaria a lugar nenhum. Sabem por quê? Porque Deus era quem guiava os passos de Abrão. Dia a dia, Deus dizia para onde Abrão deveria seguir.
O exemplo desse patriarca me fez pensar de quantas pessoas um dia não disseram com convicção que queriam seguir a Jesus, mas por não se dedicarem a prática da oração ficaram perdidos no meio do caminho.
Quando aos poucos vamos abandonando a prática da oração, aos poucos também vamos perdendo a noção de direção. As igrejas estão lotadas de pessoas que estão perdidas no caminho, por não manterem uma vida de oração contínua.
Antes de continuar quero chamar a atenção de vocês para duas coisas: quando eu falo que as pessoas estão perdidas, eu não quero dizer que eles estão condenados ao inferno, mas que estão sem orientação na vida – são pessoas que dão dois passos para frente e cinco para trás pelo fato de não compreender quais são as coordenadas de Deus para suas vidas. A outra coisa diz respeito à oração – quando falo que essas pessoas que estão perdidas não mantêm uma vida de oração não me refiro aos momentos de oração na igreja, e sim do dia-a-dia. Na igreja, nós oramos por situações gerais, por alguém que está enfermo ou desempregado, pelos candidatos do concurso, por determinados irmãos em especial, para que Deus derrame suas bênçãos sobre seu povo, etc. Mas há coisas que Deus não revelará para mim, porque são coisas pessoais suas, se trata de orientações que ele que dar para você e por mais que ele possa usar o pastor Edivaldo, o Pastor João Marques ou outro servo de Deus, não será a mesma coisa que dizer a você mesmo. E para que isso aconteça na vida do crente, ele precisa obedecer ao que Jesus disse: “quando vocês forem orar, entra no teu quarto e ora a teu pai que está em secreto” ( Mt 6:6).
Há duas passagens bíblicas que gostaria de destacar hoje. A primeira encontra-se no Salmo 90:12 que diz:
“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria”
Desde o final do ano passado que essa passagem bíblica vem tocando o meu coração. Não sei se porque 2012 vem se revelando como um ano cheio de desafios e aprender com a nossa história é algo imprescindível para obtenção do sucesso; ou porque Deus está nos preparando para um outro nível de relacionamento com ele.
O Salmo 90 é uma oração que Moisés dirige a Deus. O Salmo tem seu início marcado pelo contraste entre a efemeridade da vida humana e a eternidade divina. Diante da visão eterna de Deus nossa visão fosse incapaz de orientar o nosso caminho.
Deus prometeu tirar o povo do Egito e guiá-lo à Terra prometida. No meio do caminho o povo se perdeu. Perdeu-se porque quebrou a comunicação com Deus. Achou que poderia continuar a caminhada sem a orientação divina. O resultado disso foi peregrinar por quarenta anos sem saber para onde estava indo.
Quando nós quebramos a comunicação com Deus, perdemos as coordenadas que garantem uma caminhada segura à Terra Prometida.
Quando Moisés e o povo não aguentavam mais caminhar sem direção. Moisés, então, ora e pede ao Senhor que o ensine a contar os seus dias. Moisés contínua e diz ao Senhor:
“Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos. Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade. Aos teus servos apareçam as tuas obras, e a seus filhos, a tua glória. Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos” (Sl 90:13-17 ARA).

Através da oração, o povo reencontrou o caminho da Terra de Canaã. Isso nos faz pensar sobre a importância da oração na vida de quem se encontra perdido, pois a oração restabelece a conexão com Deus e a partir daí reencontramos o caminho de nossas vidas.
A outra passagem encontra-se no Salmo 23
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam. Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda. Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.”
Esse salmo também é uma oração. Primeiro, o salmista reconhece que em Deus, ele não tem falta de nada. Em seguida ele pede ao Senhor que oriente o seu caminho por trilhas amenas junto a águas de descanso; que o guie por caminhos justos e mesmo que no trajeto haja vales escuros de morte, que o Senhor o conduza para fora desses locais com seu cajado de Bom Pastor. O salmista sabe que se Deus o guiar, ele alcançará misericórdia e terá a certeza de habitar nas moradas de Deus eternamente.
E com o Salmo 23, concluímos que a oração nos mantém no caminho certo. E mesmo que as adversidades no sobrevenham, temos a certeza que serão passageiras. Já o Salmo 90 fala da importância da oração para aqueles que perderam o rumo, para aqueles que um dia se perderam no caminho e hoje não encontram direção para suas vidas. Esse Salmo fala que pela oração podemos reencontrar o caminho, na medida em que restabelecemos o canal de comunicação com Deus.

ANIVERSÁRIO DE 15 ANOS DA UBACI

UMA NOVA HISTÓRIA – UM NOVO TEMPO

(Aniversário de 15 Anos da UBACI)

*Pr. Edivaldo Rocha

  “Bendirei o Senhor Todo tempo! Os meus lábios sempre o louvarão” (Sl 34:1 NVI)

 

No dia em que a irmã Clécia e eu nos sentamos com os adolescentes para planejar esse dia, lembro-me de ter perguntado o que esse dia estaria representando na vida dessa união de adolescentes. Cada um se expressou e eles concluíram que se tratava de uma comemoração pelas vitórias alcançadas. Mas não isso, eles argumentaram também que não foi fácil chegar até aqui. Perguntei também o que eles queriam que ficasse dessa comemoração para que ela não fosse apenas um momento de festividade, mas também um momento de reflexão e eles expressaram que queriam uma UBACI diferente, mais ativa, que a partir dessa data algumas coisas pudessem ser bem diferentes. E dentre os muitos temas elencados havia um que se encaixava mais com o que a UBACI queria lembrar e viver. Então escolheram o tema “UMA NOVA HISTÓRIA, UM NOVO TEMPO”.

Quando pensei nesse tema conclui que há dois momentos a serem considerados, pois se a UBACI deseja uma história nova e um tempo novo, há também que considerar uma história passada e um tempo passado.

Em uma igreja, vivemos de histórias passadas e de histórias que estão se desenrolando no presente e isso gera um conflito de gerações, pois quem viveu a adolescência há 30, 40, 50 e 60 anos vai ter como referência de adolescer uma época diferente desta, e não poderia ser diferente. Cada um vive as mais diversas fases da vida a seu modo e por mais que precisemos nos orientar no presente por alguma referência, nós vivemos um outro tempo, com novas tendências em relação às gerações passadas nós estamos fazendo uma nova história.

Entender que estamos vivendo um novo tempo é entender também que algumas coisas também são diferentes. Há algumas décadas, as pessoas usavam o cabelo Black-Power ou com Brilhantina, hoje os cortes de cabelo parecem serem “feitos no facão”; as calças eram boca-de-sino, hoje, são Slim e Skinny; antes as pessoas iam a festivais, clubes, praças, hoje, os adolescentes não saem da Internet.

O fato é: quer gostemos ou não, nós vivemos um novo tempo e com isso construímos também uma nova história. Mas há uma coisa a considerar nesse novo tempo e na construção dessa nova história: que marca nós deixaremos? Esse novo tempo será marcado com quais atitudes? A nova história será marcada com quais valores?

Eu não me refiro à moda que muda a todo tempo. Daqui a pouco nós voltaremos a usar brilhantina ou um outro produto similar, pois o BlackPower já voltou à moda. Na verdade eu me refiro àquelas atitudes que não condizem com o comportamento cristão. Será que nesse novo tempo elas estarão presentes em nossas vidas? E quanto aos valores? Será que essa nova história que estamos construindo será marcada com os valores de um verdadeiro cristão?

Semana passada nós participamos de um congresso que tinha por tema “Geração de Samuel”. Samuel foi um homem que viveu há três mil anos (na mesma época do salmista Davi), mas será que os valores que ele defendia estão ultrapassados? Será que a postura de um homem de Deus daquela época não serve como modelo para os dias de hoje?

Meus queridos leitores, a Bíblia não fala de modismos, e sim de valores eternos confeccionados no coração do próprio Deus. Então não importa em que tempo nós vivemos; as virtudes divinas devem marcar a nossa história.

Hoje nós vivemos uma nova realidade cheia de inovações tecnológicas; somos bombardeados por novas informações a todo instante; vivemos em um mundo em que as pessoas dizem “que tudo é relativo”. O que elas não sabem, ou fingem não saber é que os valores de Deus não são relativos, pelo contrário, são absolutos.

Nesse novo tempo precisamos marcar a nossa nova história com a marca de Deus que se revela na honestidade, na pureza, na oração, na leitura das Escrituras, em uma vida de santidade e devoção, no compromisso com a obra do Senhor; nossa nova história precisa ser marcada pelo amor, pelo perdão, pela tolerância, pela fé, pela bondade, pela paciência, pelo domínio próprio, pela mansidão.

Porque no final das contas, nós estamos aqui construindo uma nova história para bendizer o nome do Senhor. Quando nós entendemos essas coisas, entenderemos também a divisa que escolhemos para este dia. Pois o Salmista Davi decretou que bendiria o Senhor o tempo todo: seja esse tempo passado, presente ou um novo tempo.

Que a nossa nova história e nosso novo tempo sejam marcados pelo louvor ao nosso Deus.  Amém!

TEMPO DE DEUS

ESPERANDO O TEMPO DE DEUS

 *Pr. Edivaldo Rocha

Quero compartilhar com vocês um texto do evangelho de João, capítulo 11, o qual narra a ocasião em que Jesus ressuscitou a Lázaro.  Sei que todos vocês em algum momento leram essa narrativa, contudo, gostaria de apresentá-la sobre a leitura de um amigo, chamado Ivanildo Cardoso, diácono da Igreja batista em Apipucos. Ele é uma pessoa multifacetada: é motorista, é mecânico, é serralheiro, pintor, artesão, cordelista e, o mais importante, crente em Jesus.

No exercício do seu talento poético, ele escreveu um cordel narrando a história de Lázaro. Destaco então algumas estrofes.

De Lázaro, Marta e Maria

A Bíblia conta a história

Dando-nos grande alegria

Sem crer eu não sabia

De Deus a sua Glória.

 

O livro de João relata

De Lázaro a ressurreição

E em detalhes retrata

A história que vale prata

E restaura coração

Betânia era uma aldeia

Onde a família morava

Quem colhe porque semeia

E nunca lhe faltava a ceia

Quem procurava encontrava

 

Marta, Lázaro e Maria

Uma família em amor

Nem briga nem valentia

Longe da idolatria

E aos pés do nosso Senhor.

            Sem sombra de dúvidas, a narrativa do Evangelho de João 11 é uma das mais comoventes de toda a Bíblia. Ela conta uma situação na vida de algumas pessoas que muitos de nós já vivenciamos.

Lázaro pertencia a uma família piedosa; uma família preocupada em cumprir os mandamentos de Deus.

            Jesus estabeleceu um forte vínculo com esta família. Na verdade, Marta, Maria e Lázaro eram pessoas as quais possuíam muitos amigos por conta da amabilidade que demonstravam para com seus vizinhos. Era muito difícil não gostar desses três irmãos.

Certo dia uma doença sobreveio a Lázaro, deixando-o gravemente abatido. Tentaram tudo que estava a seu alcance, mas a saúde de Lázaro se fragilizava mais e mais. Então os parentes decidiram chamar uma pessoa que era capaz de resolver o que a medicina da época não foi capaz de resolver. A família pediu a ajuda de Jesus.

Considero essa narrativa de estrema relevância para nossos dias por conta da riqueza ensinamentos que pode nos oferecer.

1- O primeiro detalhe que chama a nossa atenção é para o fato da pessoa de Jesus só ser notificada quando Lázaro estava prestes a morrer. Todos conheciam a fama de Jesus. Todos sabiam que ele poderia curar os enfermos, por que então não o chamaram antes? Pensando nessa pergunta conclui que não avisaram a Jesus antes pelo fato da doença ter se manifestado como uma indisposição simples. Uma simples indisposição que com uma boa canja de galinha se resolveria. Ou quem sabe não queriam incomodar o trabalho de Jesus. Afinal, era do conhecimento de todos que ele estava sobremodo ocupado no exercício de seu ministério. E não fazia muito tempo que ele com os discípulos haviam estado em Betânia. Ou ainda, não queriam comprometer a segurança de Jesus, pois na ocasião da última visita a Betânia, os judeus atentaram contra a vida de Jesus.

Tudo isso nos faz pensar de quantas petições deixamos de dirigir a Deus, por achar que conseguimos dar conta de tudo sozinhos. Eu costumo brincar dizendo que algumas pessoas oram mais ou menos assim “Senhor, estou entrando em sua presença, mas nem se incomodo, pois já estou saindo”

Vários motivos fazem com que delimitemos nossas orações a poucos instantes. Muitas vezes oramos só por desencargo de consciência. Aprenda uma coisa! Deus está sempre disponível para ouvir os seus filhos. Não espere a situação ficar crítica, entrega o teu caminho ao Senhor o quanto antes.

2- O segundo detalhe diz respeito a algo que proferimos com frequência, mas que pouco consideramos: o tempo de Deus.

Com a piora de Lázaro, suas irmãs mandaram um mensageiro avisar do ocorrido. Na ocasião, Jesus estava nas imediações do Rio Jordão (Jo 10:40) – do Rio Jordão a Jerusalém a distância estimada era de 34Km, como Betânia ficava três quilômetros antes, estimamos que Jesus estivesse a uma distância de 30KM. Essa distância era facilmente percorrida em um dia de caminhada.

Depois da notícia Jesus permaneceu mais dois dias no lugar onde estava, então se o mensageiro saiu de Betânia no dia primeiro, tendo encontrado a Jesus no dia seguinte, somado aos dois dias em que Jesus esperava para voltar, mais um dia de caminhada a Betânia, temos então 4 dias rapidamente contando. É muito provável que Lázaro já houvesse morrido quando o mensageiro chegou com a notícia.

Marta e Maria perguntaram a Jesus, “mestre, por que você demorou tanto? Na realidade Jesus chegou no tempo certo. Como é de seu costume. O problema é que por mais que mencionemos que Deus tem um tempo, muitas vezes questionamos o que a nossos olhos parece ser uma demora. O socorro de Deus vem na hora certa.

3 – Em romanos 8:28, a Bíblia afirma “que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” e Jesus aproveitou a situação para corrigir um monte de mal-entendidos que ocorreram nessa passagem: os discípulos entenderam mal o que Jesus estava dizendo quando disse que Lázaro dormia (Jo 11-11-13); Marta e Maria também não compreendiam bem o que Jesus planejava fazer quando falava a respeito de ressurreição (Jo 11:23-27; 32 e 39).

O que as pessoas que estavam com Jesus não entendiam era que ele queria levá-las a um novo patamar em sua fé.

De certa forma, as irmãs de Lázaro acreditavam que Jesus poderia curar enfermos, mas parece que ressuscitar mortos não estava “nas atribuições de Jesus”. Jesus queria mostrar a todos que a morte não é páreo para o poder de Deus. E com isso conseguimos aprender mais uma coisa: os nossos problemas não estão à altura do poder de Deus.

Quantas vezes não nos pegamos duvidando do poder de Deus? Quando nós olhamos para uma pessoa afundada no pecado e dizemos “fulano não tem mais jeito” começamos a achar que Deus não transforma certas pessoas. Marta e Maria tinham certas dúvidas quanto ao poder de Jesus. Cada vez que ele falava em ressurreição, elas interrompiam dizendo “é, Jesus, eu sei que há de ressurgir no dia final”. Alguma coisa estava impedindo que as pessoas enxergassem quem de fato era Jesus.

Talvez o que precisemos reaprender o bê-á-bá de Deus: precisamos voltar a confiar no poder da oração, esperando o tempo de Deus, crendo que para Deus nada é impossível. E quem sabe então, vejamos o milagre tão esperado acontecer.

Os últimos versos do cordel do Irmão Ivanildo narram o seguinte:

Lázaro ressuscitou,

Sua família contente.

Da morte a vida brotou,

Não sejas tu um descrente.

Ontem, hoje, eternamente

O Senhor terá poder,           

 

O fraco será valente

O triste será contente

Basta somente crer

Deus seja louvado

Até por você também

Seu espírito transformado

Para todo sempre, amém!

 

COMO FOI E COMO SERÁ DEPENDE DE VOCÊ

 *Pr. Edivaldo Rocha

“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90:12)

             Chegamos ao final de mais um ano e creio que muitos já avaliam o que este ano representou em sua vida. A cada dia que passa temos a oportunidade de olhar para trás e rever as nossas ações de modo a projetar melhor o nosso futuro. Quando abrimos mão dessa avaliação começamos a acumular um dia sobre o outro e em determinado momento nos damos conta que um dado período de tempo passou sem muita significância para nós.

            É tão triste quando chegamos ao final de mais um ano e percebemos que os 365 dias passados foram apenas um amontoado de dias que pouco representaram. Por outro lado, quando não perdemos a noção do tempo e avaliamos constantemente os nossos passos notamos que todo acontecimento serviu a um propósito em nossas vidas. Até mesmo os episódios negativos podem dar algum lucro quando sabemos aproveitar bem as situações. Deus sempre nos dá condições de tirarmos boas lições dos momentos de provação. As provações nos deixam mais fortes, mais experientes, mais seguros. E o que diremos dos bons momentos?

            Ao avaliarmos corriqueiramente os nossos dias vemos os bons momentos como consequência de projetos bem sucedidos.

            Se projetamos uma reforma e concluímos, dizemos que foi bom, que foi o momento oportuno para fazê-la; se investimos em uma profissão e na preparação para tal desempenhamos bem o nosso papel, reforçamos a certeza de continuar em frente. Se pensamos em casar e tudo coopera para o grande dia, logo deduzimos que estamos indo bem. Se nos esforçamos e matriculamos os filhos em escolas que oferecem um melhor conteúdo e ao checar as notas azuis no boletim, contatamos que o investimento e sacrifício foram válidos.

            Enfim, só temos condições de nos alegrar com essas coisas, quando prestamos a atenção naquilo que estamos fazendo. Há um perigo muito grande em deixar passar os dias sem muita noção daquilo que está acontecendo. Há um enorme risco de se chegar Ao fim do ano e constatar que o ano que passou foi em vão.

            O poeta no salmo noventa pede a Deus que o ensine a contar os seus dias, a fim de alcançar um coração sábio. Tenho certeza que quando o cantor Zeca Pagodinho canta o refrão “deixa a vida me levar” ele não está proferindo uma filosofia de vida. Ele certamente sabe muito bem o agente que deve contratar, que contratos deve assinar, que investimentos deve fazer. Talvez o que ele cante seja algo para os outros e não necessariamente para si mesmo.

            O problema é que tem muita gente vem acreditando em letras de músicas como essa e vivem empurrando a vida com a barriga. E ainda dizem “seja o que Deus quiser”. Quer dizer que se nós agirmos desordenadamente e nos dermos mal, a culpa é de Deus?

            Estamos às portas de 2012, então, aprenda uma coisa logo de saída, Deus realizará por nós aquilo que está além do nosso alcance, mas o que cabe a nós fazermos, façamos conforme as nossas forças (Ec 9:10).

            Se 2011 não foi um ano bom, deixemo-no para trás, se foi um ano bom, um ano de realizações levemos suas bênçãos para o próximo ano.

Que entremos em 2012 cheios de projetos, cheios de alvos a atingir, mas não nos esqueçamos de colocar os nossos corações nas mãos do Senhor para que nossos planos sejam planos aprovados por Deus.

2012 será um ano de bênçãos para aqueles que sabem cultivar bênçãos. Afinal, qual agricultor colherá os frutos? aquele que espera chover para plantar ou o que planta e espera chover? Acredito que o que planta e espera chover tem mais chances de dispor mais rápido dos frutos da terra que o outro.

Que em 2012 possamos preparar a terra, lançar sementes e confiar que o senhor dará o crescimento. FELIZ 2012!

DEUS NOS DÁ SEMPRE UM NOVO AMANHECER – SORRIA!

INSTANTES COM DEUS

22 – “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5b – ARC)

SORRIA! HOJE É UM NOVO DIA. Não importa quão difícil foram os dias passados, lembre-se que Deus sempre nos dá a dádiva de um novo amanhecer.

Pr. Edivaldo Rocha

Acesse também: http://instantescomdeus.blogspot.com

ANIVERSÁRIO DA SHB NA I.B. EM COMPORTAS

CRISTO ACIMA DE TUDO (1°DIA)

*Pr. Edivaldo Rocha

Para mim é uma honra poder participar com vocês desse culto em louvor a Deus por mais um ano da União Masculina desta igreja, principalmente diante de uma divisa tão significativa como a do Livro de Atos 4:12, a qual quero recitar em uníssono com todos vocês.

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

Quando lemos uma passagem bíblica como essa é comum procurarmos o contexto, no qual ela foi proferida, bem como quem a proferiu. Porque dependendo de quem pronunciou e onde, o significado de um certo versículo poderia variar consideravelmente.

Suponhamos que tivesse sido Herodes, quem pronunciou essa frase, então qual seria o significado? Seria uma ironia, considerando que Herodes foi um dos responsáveis pela morte de Cristo. É claro que não foi Herodes ou outro ímpio que proferiu essa verdade bíblica, mas um discípulo de nome Pedro. E qual era o contexto que gerou essa frase, qual era o cenário do momento? O cenário era um tribunal, que reuniu-se para julgar dois discípulos de Jesus, Pedro e João, por terem realizado um milagre em nome de Deus.

A história dessa frase começa em um dia em que Pedro e João, às 15 horas do dia, se dirigem ao templo, a fim de orar. Na porta do templo havia um deficiente físico que suplicou alguma esmola. Até aquele momento, aquele homem não imaginava o que estava para acontecer. Pedro e João se dirigiram até o deficiente que pedia esmolas quando e este que pensava que iria receber uma moeda de bronze, ou quem sabe até uma de prata, foi surpreendido com uma frase desanimadora “Eu não tenho prata nem ouro” (At 3:6a). Mas antes que ele pudesse processar essa informação, outra coisa foi oferecida “mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!” (At 3:6b). O verso seguinte conta que o homem que era deficiente se pôs em pé em um salto e começou a glorificar a Deus. Fato que chamou a atenção de todos que estavam no recinto, então tomando da palavra o apóstolo Pedro começou a falar para as pessoas que aquilo foi possível por conta de um nome, Jesus, o Nazareno.

Tentem imaginar o alvoroço e alegria que não tomaram conta daquele lugar, pois Deus acabara de realizar um milagre. O que aconteceu depois? Pedro e João foram presos. Enquanto passou a noite na prisão, Pedro teve tempo suficiente para com João compor um a defesa que tinha como tese central a divisa que acabamos de ler:

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

Ainda pouco eu disse a vocês que dependendo do contexto e de quem fala determinada expressão, essa poderia ter vários significados. Mas permitam-me completar, pois tais expressões podem ter vários significados para quem ouve quanto para quem profere.

Quem proferiu essa divisa, nós já sabemos que foi o apóstolo Pedro, mas quem foi Pedro até aquele dia em que proferiu isso?

Convido vocês a acompanharem comigo, não uma biografia de Pedro, mas um caminhar progressivo até este dia em que estava sendo julgado. E como referência inicial, quero convidá-los a recordar do dia em que Pedro estava com os outros discípulos e Jesus, celebrando o que ficou conhecido como A Última Ceia.

Os evangelhos narram que o evento da última ceia foi seguido de um momento em que Jesus se dirige para o Getsmani, a fim de orar.

Ele leva consigo Pedro, Tiago e João. Nessa ocasião Judas vêm ao seu encontro com os soldados e com um beijo o entrega nas mãos das autoridades as quais queriam prendê-lo. Então um dos discípulos, que ali estavam (os estudiosos apontam que foi Pedro), sacou a espada e cortou a orelha de um dos soldados. Provavelmente, Pedro queria decepar-lhe a cabeça, mas por agilidade do soldado em se esquivar cortou-lhe apenas a orelha. Jesus o repreende e faz uma cirurgia de reconstituição da orelha do soldado.

Em seguida, Jesus é levado preso e os discípulos os seguem de longe. O que Pedro não contava era que alguém o reconheceria como servo de Jesus. Quando uma criada o questiona acerca se ele era seguidor de Jesus, o que Pedro faz? Ele nega. Uma vez? Não, mas três vezes. Já amanhecendo, o galo cantou e Pedro lembrou do que Jesus disse e chorou amargamente.

Convém aqui fazermos uma pergunta: por que Pedro chorou?

Pedro chorou, pois pensou que por um instante pudesse salvar a sua própria…

“Mas não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

Pedro pensou que por um instante poderia salvar a sua vida por meio da espada. Depois de fracassar com a espada, pensou que poderia salvar a sua vida por conta própria e então nega o fato de conhecer a Jesus. Quando aquele galo cantou; quando Jesus olhou para ele olho no olho, mesmo à distância, Pedro percebeu que não há salvação em nenhum outro a não ser em Jesus, o filho de Deus.

Jesus foi julgado, crucificado, morreu e ressuscitou. E Pedro aprendeu definitivamente que em nenhum outro há salvação.

O livro dos Atos dos Apóstolos mostra o início da trajetória da igreja depois da ascensão de Jesus aos céus. O livro começa narrando a vida de Pedro que dá uma verdadeira profissão de fé, não obstante oferecer o padrão de Deus para a mensagem cristã: as mais valiosas lições de homilética (ciência da pregação) estão nos primeiros discursos de Pedro, vejamos o foco dos discursos de Pedro.

Logo no capítulo 2 de Atos, verso 14, Pedro faz o seu primeiro discurso depois da ascensão de Jesus e notem como ele se estrutura. Lembremos que um pouco antes, houve a descida do Espírito Santo sobre todos os justos e piedosos que estavam na festa do pentecostes.

· V. 14-15 – introduz com o fato que acabara de acontecer – descida o E. S.;

· V. 16-21 – Pedro lança mão de uma passagem bíblica do A.T. para dar base ao seu discurso ( Jl 2:28-32);

· V. 22-24 – Pedro discorre sobre o tema;

· V.25-28 – ilustra com uma poesia – o Sl 16:8-11 (salmos são poesias cantadas);

· V. 29-32 – Pedro contextualiza ilustração e volta ao tema;

· V. 33- 36 – Pedro usa uma forma de conclusão que chamamos na homilética de conclusão remissiva, pois vem resgatando a introdução, a ilustração e enfatiza novamente o tema, que no caso dessa mensagem foi, Deus fez de Jesus Senhor e Cristo.

O verso 37 desse capítulo 2 de Atos, mostra que nem precisou convite, para que quase três mil almas se convertessem.

No capítulo 3 sucede a cena que gerou a prisão dos discípulos: Pedro e João se dirigem ao templo e na entrada curam, em nome de Jesus, um deficiente físico. Depois desse milagre, Pedro novamente toma a palavra e dirige mais um discurso às pessoas. Notem novamente a mesma estrutura homilética.

· V. 11-12 – Pedro lança mão de uma situação ocorrida – o milagre na porta do templo;

· V. 13 – Pedro relembra do nome dos patriarcas do A.T. para dar base ao seu sermão;

· V. 14-15 – Pedro relaciona o nome dos patriarcas com o nome de Jesus, conduzindo os ouvintes à lembrança da crucificação;

· V. 16 – Pedro mostra o seu tema central: Jesus, a quem muitos rejeitaram, é o nome responsável pelo milagre;

· V. 17-21- ele discorre sobre o tema;

· V. 22-23 – Pedro recita mais uma passagem do A.T. Dt 18:15, 16 e 18;

· V. 24 – aparece a ilustração que relaciona a passagem de Dt com as profecias e vida de Jesus.

· V. 25 – Pedro, na conclusão remissiva, laça mão do exemplo dos patriarcas e a aliança com eles feita Gn 22:18, para concluir deixando claro que esse Jesus foi o mesmo que os homens crucificaram, mas que Deus o ressuscitou dentre os mortos.

Por esse milagre, seguido de um discurso, Pedro e João foram presos. Os discípulos chegaram ao templo por volta das três da tarde. Calculemos que o milagre, o alvoroço, o discurso, a chegada dos guardas, o prende, não prende levou mais umas três horas, detalhes que nos levam a crer que já eram seis da noite. Os soldados sem querem incomodar os membros do tribunal acharam por bem, deixar os dois pregadores na cadeia até o amanhecer.

Durante a noite na cadeia Pedro e João prepararam a sua defesa. E mais uma vez percebemos a mesma estrutura de mensagem, só que dessa vez mais sintética, pois o tempo para defesa era limitado:

· V. 9 – Pedro fala do fato ocorrido, o milagre e da alegria do povo– introdução básica;

· V. 10 – tema central – Jesus, o crucificado, é filho de Deus que realizou milagres;

· V. 11 – Pedro discorre sobre o tema lançando mão do Sl 118:22 para dar base – érdra angular;

· V. 12 – Pedro conclui (essa mensagem não precisava ser remissiva por conta do tempo) com a reafirmação do tema:

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

Meus queridos ouvintes, eu falei dessas coisas para vocês hoje, porque estamos vivendo dias em que muitos pregadores não estão fazendo de Jesus o artista principal de suas mensagens. Jesus parece mais um mero figurante. que mal aparece no filme.

Em vez de pregarem a Jesus, os pregadores estão apresentando mensagens de autoajuda. E às vezes só de ajuda, pois a autoajuda pressupões que o indivíduo sozinho consiga resolver o seu problema. Mas essa ajuda oferecida, causa uma dependência daquele que oferece. Ou seja, aquele oferece é que domina a situação e nunca o que recebe.

Muitos estão dizendo, venham para minha igreja que eu vou orar para amarrar, para soltar, para repreender, para abençoar, etc., as pessoas hoje oferecem nas igrejas ajudas das mais diversas, mas esquecem-se de oferecer a salvação que está em Cristo Jesus.

Meu querido ouvinte, o pastor Malafaia, o missionário R.R. Soares, o bispo Edir Macedo, o apóstolo Valdomiro, até o pastor Edivaldo só podem oferecer ajuda. Mas o que realmente o ser humano, o que realmente você precisa é de Salvação, perdão dos pecados, e isso, você só vai encontrar em Jesus.

Pedro pensou que pela espada ou por seus próprios esforços ele seria salvo, mas o canto do galo, o olhar de seu mestre, o fizeram lembrar, que só em Jesus há salvação.

É por isso que o tema do primeiro discurso de Pedro era Jesus; o tema do seu segundo discurso era Jesus; o tema de sua defesa diante do Sinédrio era…

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”

Você pode até ter ouvido muitas mensagens que propõem ajudas e por falta de conhecimento da Palavra de Deus, você pode achar que essa ajuda é o máximo que o Senhor tem para te oferecer: uma ajuda qualquer um pode dar, e não precisa nem sequer ser pastor ser pastor, mas a salvação, essa só Jesus tem. Responda-me uma coisa nessa noite: você ainda vai querer sair da levando uma ajuda, um apoio moral, ou a Salvação de Cristo Jesus?

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