mensagem bíblica: O exercício da fé

 

O EXERCÍCIO DA FÉ

*Pr. Edivaldo Rocha

*1Co 15:1-58

A igreja de Corinto despertou a atenção do apóstolo Paulo quando em seu meio os crentes manifestaram uma ação não muito típica para quem se professava cristão. Segundo pesquisadores, alguns crentes em Corinto rejeitavam a doutrina principal do evangelho: a ressurreição de Cristo Jesus. E se perguntássemos em que isso comprometeria a fé cristã? Em 1Co 15:14 obteríamos a resposta: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé”. Ou seja, se Jesus não ressuscitasse dentre os mortos não haveria salvação e vã seria a nossa fé e a nossa pregação como Paulo mesmo diz no verso em destaque.

Quando pensava sobre este verso me questionava sobre o que poderia tornar a nossa fé vã? Ou o que nos faria enquanto cristãos perder o nosso tempo no que se refere à nossa fé?

O texto do capítulo 15 da 1ª carta aos coríntios descreve alguns elementos que deveríamos estar atentos como crentes que não têm tempo a perder, muito menos manifestar a fraqueza espiritual da igreja de Corinto.

I. GUARDAR A DOUTRINA (v. 1-2)

O apóstolo Paulo introduz o capítulo lembrando algo crucial para aquela igreja e com certeza a igreja de Jesus Cristo espalhada na face da terra:

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão” (v. 1-2)

Uma das maneiras de não crermos em vão é manter o evangelho, tal qual como recebemos. O que muitos crentes não levam em consideração é que o conjunto de doutrinas defendido por suas respectivas denominações corroboram para unidade do Corpo de Cristo que é a igreja.

Em outras palavras, quando um crente começa a fazer um self-service doutrinário religioso, algumas convicções de fé se fragilizam. Conseqüentemente o crente também. O que é um self-service doutrinário? Usamos esse termo ilustrando com um restaurante self-service, onde o cliente escolhe o que vai comer e coloca na balança. O self-service religioso é praticado por aquele crente que fica colocando no seu prato elementos doutrinário que necessariamente não correspondem ao de sua denominação. Formando uma salada doutrinária que fará mais mal do que bem.

Isso geralmente acontece quando um crente freqüenta várias igrejas ao mesmo tempo. Os pastores não têm culpa desse self-service, visto que eles estão doutrinando suas igrejas. Que culpa teria um pastor ao alimentar suas ovelhas e ver que no meio de seu rebanho aparece uma ovelha de rebanho diferente e com uma dieta espiritual também diferente?

Ele deveria deixar de alimentar suas ovelhas para não comprometer o doutrinamento de outra denominação? Não! O que não deveria acontecer é crentes saírem de suas igrejas para se alimentar em outras igrejas.

Quero destacar que não falo isso por achar que estou concorrendo com alguém na disputa pelos membros. Mas se pretendemos ter em nossas igrejas ovelhas sadias e com uma dieta espiritual balanceada, aptas para suportar toda e qualquer situação, não obstante podermos trabalhar na melhoria de caráter desses crentes. Precisamos que esses mesmo crentes estejam presentes na sua igreja.

Perseverar na doutrina de nossa igreja faz com que não enfraqueçamos a nossa fé.

II. EXERÇA UMA ATIVIDADE PARA EXERCITAR A SUA FÉ (v. 9-10)

Os versos 9 e 10 descrevem a situação do apóstolo enquanto crente em Jesus Cristo.

“Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.” ( v. 9-10).

Dizem popularmente que “o trabalho dignifica o homem”. Na igreja o trabalho dignifica o homem o fortalece na fé.

Quando nos acomodamos por muito tempo, geralmente ficamos frustrados. É claro que esse sentimento não vem de cara, mas é precedido por dois outros: o primeiro deles é a indisposição religiosa. O que é isso? É quando o crente se cansa de outros crentes. Esse é o primeiro sintoma que leva o crente a deixar de servir. Essa indisposição religiosa compromete a comunhão da igreja. E igreja que não está em comunhão se enfraquece; em seguida vêm as crises de consciência. Esse já é um estágio mais avançado. Ocorre quando o crente quer arrumar desculpas para sua falta de ação na obra do Senhor. Como geralmente as desculpas que ele mesmo arruma não lhes satisfazem, vem as crises de consciência. Creio que as crises de consciência é a própria ação do Espírito Santo dando alertas para esse crente que está nesse segundo estágio que antecipa à frustração. Por acaso não é o Espírito Santo que nos convence do pecado, da justiça e do juízo e não é ele que nos faz lembrar todas as coisas. “Não extingais o Espírito Santo” (1Ts 5:19). Quando ele martelar a tua consciência lembra que é para voltardes ao primeiro amor.

Por último vem a frustração com sua fé. Esse último estágio é muito perigoso para a saúde da fé de uma pessoa. É o estágio onde o crente se vê decepcionado consigo mesmo. E perguntas como “o que estou fazendo aqui” maltratam mais e mais a alma. Da frustração para o abandono é um salto que conduzirá ao abismo.

O apóstolo Paulo trabalhava para não ver suas convicções transformarem-se em coisas vãs.

O trabalho cristão, o trabalho no Reino de Deus, o trabalho para sua igreja e seus irmãos fortalece a nossa fé e nos vacina contra frustração da fé que leva à apostasia.

III. FÉ GERA FÉ; DESCRENÇA GERA DESCRENÇA (v. 13 e17)

No verso 13, o texto descreve que “E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou”. Notem o que Paulo está dizendo à igreja de Corinto. Ele está dizendo que se um ponto como este da doutrina cristã é enfraquecido outros vão se enfraquecer de tabela.

No texto está descrita a descrença na ressurreição dos mortos por parte de alguns crentes da igreja de Corinto. Se não criam nesse ponto, então o ponto mais fundamental da fé cristã também ficava comprometido. E comprometendo a ressurreição de Jesus não há base para a salvação e vã é a nossa fé.

Já não fosse isso comprometedor demais o verso 17 aponta mais um problema co-relacionado ao assunto do capítulo que trata da doutrina da ressurreição. “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (v.17).

Percebam que a doutrina da expiação de pecados perde seu sentido também. E se não obtemos o perdão dos pecados não temos razões para estar aqui. Não temos razões para cantar.

As doutrinas bíblicas são interligadas ou co-relacionadas umas com as outras. Mexa em uma e comprometerás as demais.

É nesse sentido que digo que fé gera fé e descrença gera descrença. A Bíblia nos mostra um caminho saudável em direção ao Pai das Luzes. Porém qualquer decréscimo ou desvio que for implantado a esse caminho comprometerá a nossa chagada.

Modismos doutrinários nada contribuem para uma fé equilibrada, pelo contrário destroem as sãs doutrinas e deixa vã a nossa fé. Por outro lado, a valorização das doutrinas bíblicas nos levarão aos mananciais das águas tranqüilas preparadas pelo nosso Senhor para todo aquele que crer.

O apóstolo Paulo no capítulo 15 da carta aos coríntios fala da doutrina da ressurreição e nas suas entrelinhas fala do exercício de fé necessário à fé cristã.

Uma fé que não é exercitada vai enfraquecer o crente e essa fraqueza o leva ao desânimo, ao desespero causado pelo pecado e a incredulidade na ação renovadora de Deus em nossas vidas. Por outro lado, o evangelho de Jesus cobra de nós um exercício de fé diário. Esse exercício fortalece e alimenta a certeza da glória e graça de Deus em nossas vidas.

Como o exercício físico previne vários males à nossa saúde, o exercício da fé nos previne dos males espirituais.

EXERCITE A SUA FÉ, GUARDE AS DOUTRINAS BÍBLICAS E VALORIZE O TRABALHO E A COMUNHÃO DE SUA IGREJA. AMÉM!

(Mensagem apresentada na Igreja Batista em Apipucos no dia 12/10/08)

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